Sexta-feira, 25 de Fevereiro de 2005

Andebol parte II

Depois de algumas críticas não favoráveis, de um certo desabafo e imcompreensão da minha parte chega agora o reverso da moeda.
Nota prévia: Está aqui a falar alguém que vive por dentro desta realidade andebolística do clube Ginásio Clube de Santo Tirso há quase 11 anos.

Tinha eu 8 anos feitos, não me lembro bem da data, e eis que me surge um convite (penso que do meu primo que lá andava) para entrar para um desporto, o andebol, visto que a minha prática desportiva era nula, resumia-se a uns jogos de futebol no velho campo da escola primária Conde São Bento, e visto que a minha condição física deixava muito a desejar (uns muitos quilos a mais) eu resolvi experimentar e lá fui a uns treinos no Velho Pavilhão do Ginásio. Não me recordo muito bem dos dois anos seguintes, anos em que joguei no escalão de Bambis, entrando em alguns Festands, incluse um na Madeira que se bem lembro foi muito bom para jovens atletas como nós. Sob a batuta da professora Maria de Jesus Carvalho (que está a deixar saudades) integrei pela 1ª vez um grupo desportivo, e iniciei a minha actividade física como atleta.
Quando fiz 10 anos, nem sei bem porque, deixei o andebol, mas regressei a meio da época, tendo que reaprender a jogar e a tentar me integrar novamente num grupo. Foi neste 1º ano que conheci os atletas que iriam jogar comigo desde então até aos dias de hoje (visto que a maioria não tinha começado nos bambis).
Foi então que começei a tomar gosto pela modalidade, foi então que começei a sentir que fazia parte de um grupo, de uma família larga e abrangente que acolhe todos os que queiram no seu seio e faz de alguns deles jogadores e de todos Homens. Foi então que me apercebi que a tal "associação de utilidade pública" servia relamente as necessidades sociais ensinado um pouco da vida aos jovens atletas (isto relativamente ao andebol no ginásio, sobre outras modalidades não falo).
Durante 2 anos, isto é até eu fazer 13 anos, joguei neste escalão de Infantis, treinado sempre pelo Prof. José Guilherme Pelayo (com alguns outros treinadores a passarem pelo cargo esporadicamente), e aumentando (não muito :) ) a minha capacidade andebolística, mas aprendendo sobretudo a interagir com colegas, com companheiros em equipa, aprendendo que temos que ser sociais para sermos alguém, aprendendo que só em grupo é que podemos demonstrar as nossas características que nos fazem humanos. Encontrei aqui um grupo de trabalho excelente, com jovens como eu, que tinham qualidades humanas e tinham problemas e enfrentavam situações difíceis na vida, assim como eu, e então fui percebendo que não era só a mim que aocnteciam coisas, que não era só eu que estava a mudar (aí puberdade), que havia outros como eu que não tinham a vida facilitada.
Nesses anos sei que forma muitas as zangas, as desavenças (mesmo sendo eu extremamente pacífico), as divergências, mas muitas foram as alegrias, muitas foram as descobertas e muitos momentos infantilmente bons passei.
No ano seguinte a mudança: a passagem para os iniciados, a subida de escalão sempre difícil para um jogador medianamente fraco como eu era (sou? ehehehe).
Aí começou a verdadeira aventura andebolística dos jovens da minha idade. Então, e magnificamente treinados pelo Sr. Prof. Hélder Tulha, começamos todos sem excepção a evoluir a olhos vistos e a construir uma equipa francamente boa. O 1º ano foi para aprendermos a jogar uns com os outros e a aprender a jogar bom andebol, partindo das premissas quase sempre certas do Tulha. Tivémos um bom ano desportivo, na 2ª divisão, disputamos torneios que não correram mal, e acima de tudo a nossa formação cívica foi catapultada para o sucesso, pois vimos na figura tão importante do treinador um exemplo a seguir, tinhamos um líder nato que percebia tanto de andebol como de recursos humanos (como eu sonho ser tão bom como tu Hélder!!!!!!).
O 2º ano, e sem falsas modéstias, foi fantástico. Disputavamos então a 1ª divisão regional, e estávamos a lutar para ir aos nacionais. Em 3 ondas vencemos 1 (a 2ª) terminando em 2º nas outros e carimbando o passaporte para o campeonato nacional a disputar nesse ano. Nem tenho dúvidas em afirmar que nunca como nesse ano estivemos tão fortes, pois além de termos sido amplamente beneficiados pelo trabalho desenvolvido nos treinos pelo treinador, eramos uma equipa muito moralizada e confiante, com muita vontade e garra, facto este que não é alheio ao trabalho do treinador, mestre em fornecer as doses de confiança necessárias, sempre pronto a uma palavra de incentivo ou a uma crítica construtiva.
Este senhor treinador incutiu em nós, e penso que falo por todos os seus atletas, um espírito único, tornando-nos numa equipa que jogava um andebol simples e eficaz, como é o andebol na sua essência; fez-nos ver que só unidos é que venceríamos, trabalhou psicologicamente cada um de nós para que nos momentos certos estivéssemos sempre à altura. Poderia ficar eternamente aqui a falar deste senhor, pois em 2 épocas (tendo os jogadores idades muito difíceis) conseguiu fazer algo incrível: transformar simples miúdos da cidade, com algumas capacidades numa equipa psicologicamente forte e unida.
Depois no campeonato nacional as coisas não foram assim muito boas, fomos afastados da fase final sem surpresas. Mas a época não havia terminado...
Nessa época participamos em 4 torneios (se não me engano): Almeirim (em dezembro (?)), Vale do Ave, São Bento (em santo tirso) e Costa d'Oiro (no algarve).
Em Almeirim, e depois de no 1º ano de iniciados termos ficado em 2os..... atrás de outra equipa do ginásio, conquistamos com muito louvor o torneio. Vencemos todos os jogos, jogamos contra o CISTER (com forte equipa) na final, onde estívemos ao mais alto nível fazendo jogos muito bons (mesmo sem alguns jogadores importantes).
O torneio do Vale do Ave englobava equipas de cidades: Guimarães, Santo TIrso (onde eramos a única equipa), Vila do Conde, etc. Chagamos a final, mas perante um adversário tão forte e desconhecido como o Guimarães, sucumbimos na final, mesmo tendo dado uma excelente réplica na 2ª parte do jogo. Enfim 2º lugar.
No torneio da casa, O São Bento, procuravamos algo que nenhuma equipa da casa havia feito: ganhar o torneio. As equipas participantes eram fortes, mas aí, e mais uma vez, o nosso grupo superou tudo e vencemos ineditamente o torneio (e o prémio de melhor jogador: nº 11 Pedro Pinto), fazendo história. Não tenho dúvidas que a vitória foi do treinador.
Por fim, nas férias, tivemos a tão aguardado torneio Costa d'Oiro, disputado em Portimão, onde mais uma vez chegamos a final sem problemas, tendo ai defrontado os nossos grandes adversários no campeonato (com os quais só haviamos ganho 1 vez na presente época): Águas Santas.
Lembro-me perfeitamente do jogo da final: No balneário, antes do iníco da partida, a equipa estava reunida, e um pouco nervosa, nós queriamos ganhar mas tinhamos um grande adversário que possuia um dos melhores guarda-redes (o melhor então do meu escalão) que já vi jogar. EIs que senão no meio do balneário tímido e recatado Hélder Tulha falou. Não me posso recordar das palavras exactas mas ele disse: "Já conhecemos esta equipa bem demais. Sabemos do que eles são capazes, mas sabemos o nosso valor." e acrescentou: "Os 1os remates têm que passar todos a rasar a cara do guarda-redes, sem acertar, mas para criar receio. Rematem junto à cara dele."
E assim o jogo começou, sempre com um resultado equilibrado. No final o treinador colocou-me a jogar (ainda não tinha entrado e costumava jogar bastante tempo), faltavam 3-4 minutos. No ataque recebo uma bola e zás: golo! Por sinal foi o último do jogo e o golo da vitória. Nunca me tinha sentido tão bem no andebol!!!
Nota importante: O grande guarda-redes do Águas Santas nesse jogo não efectou qualquer defesa digna de nome, as bolas passaram todas a rasar e marcamos sempre que acertamos na baliza.
Outra nota: O grande Hélder Tulha, sabendo melhor do que ninguém ass qualidades dos seus jogadores efectuou uma rotação significativa, jogaram todos algum tempo. Eu, que nos outros jogos joguei bastante (recordo-me até de ter sido o único ou um dos que participou em todos os jogos do torneio), apenas jogeui nessa final 3 minutos. Porque? Porque o treinador sabia perfeitamente o que fazer, lançou-me quando achou, talvez pensando que poderia fazer algo (isto mesmo apesar de eu não achar na altura que a minha entrada alterasse algo). Assim se vê que Hélder Tulha foi, é e será o melhor treinador que eu já tive.
Em suma, duas épocas estrondosas, onde me fiz Homem finalmente e onde aprendi o que é verdadeiramente o andebol. Isto só foi possível graças ao grupo de trabalho fabuloso, mas acima de tudo ao treinador Hélder Tulha, que foi o modelo que me incentivou a tentar também eu singrar neste cargo de treinador onde estou a dar os primeiros e firmes passos. Por isso digo: Tulha, muito obrigado pelos grandes momentos que nos ajudaste a passar!!


(sem mais tempo o resto fica para outro artigo, este já é grande o suficiente!)

Saudações TULHISTAS
By GoGaN^

Saudações inacabadas
By GoGaN^
Brilhantemente elaborado por GoGaN^ às 00:14
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2 comentários:
De gera a 28 de Março de 2006 às 22:32
Passado um ano e tal, tive de reler este "testamento" (you know why)......mas realmente é um orgulho pó Tulha ler isto, tá excelente!!! Bjinhu*********
De gera a 28 de Março de 2006 às 22:30
Passado um ano e tal, tive de reler este "testamento" (you know why).....mas realmente é um grande orgulho pó Tulha ler isto, tá excelente!!! Bjinhu************

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