Segunda-feira, 13 de Março de 2006

Ideias

Sentou-se em frente ao computador, com a cabeça a irradiar pensamentos, com belas e poéticas frases por si imaginadas, prontas a serem passadas para o papel (neste caso para o processador de texto).



Conseguia sempre que o seu cérebro fosse pródigo em ideias mirabolantes, planos incríveis para mudar o rumo da literatura, chegar mais além do que outros foram, ser o José Mourinho da escrita.



Não havia dia em que, estando em casa e passando pelo computador, não sentisse dentro de si algo a brotar, por mínimo que fosse, mas algo sim, que sem pensar ou sequer dar conta teimava em manifestar-se numa sensação de clausura.



E era isso que o levava a escrever, era essa vontade incrivelmente genuína que lhe ocupava a mente, largas e largas horas, e que o deixava extasiado ao pensar nas maravilhas que poderia fazer.



A escrita era, para ele, tão só uma arte pura. Todos teriam o direito a conhecê-la, mas nem todos de concebê-la. E sentia-se privilegiado, não por ser bom, ser aceite, ter fãs, mas por saber que mesmo sem valor no mundo real, a sua escrita era de uma preciosidade fabulosa no seu estranho pequeno mundo.



Sabia de antemão que nem sempre aquilo que lhe ia na mente conseguia ser transposto para o papel (bem mais poético que o processador de texto), e delirava. Não aceitava facilmente a sua derrota. Não havia ele pensado em textos nunca antes escritos, em maneirismos literários únicos, em praias e montes, em vales e campos? Então por que raio é que no papel esses montes pareciam planícies e os campos pareciam jardins? Era para si inconcebível o pensamento ser grandioso e a realidade ser normal. De que servia ser grande em mente e pequeno no papel? Nada. Realmente nada.



E isso corroía-o tanto como os seus textos lhe pairavam na mente. Tão perto de se sentir bem, mas ao mesmo tempo tão longe dessa sensação…



No fim acabava por aceitar: nada havia a fazer. Há coisas que simplesmente só podem e devem existir na mente.



E então mudava.



Descarregada a sua fonte energética sentia-se leve, livre e cansado.



Relia o que acabara de escrever. Nada daquilo era o que tinha em mente, mas que raio, nem todos podem ser tão bons como aquele que pensa os seus textos….



Saudações, simplesmente saudações

By GoGaN^



P.S.: Passou 1 ano. Cada vez sinto mais a necessidade de cá escrever, mas a vida é difícil. Vou tentar. Por mim.
Brilhantemente elaborado por GoGaN^ às 01:41
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